domingo, 14 de agosto de 2016

A Polêmica do livro "A Marca de uma Lágrima", de Pedro Bandeira.

Nesta quinta feira, houve uma pequena polêmica envolvendo o livro A Marca de uma Lágrima, do autor Pedro Bandeira, sobre a sexualidade contida na obra. Começou quando o Colégio Santa Maria, em Belo Horizonte, recebeu reclamações de pais após a leitura do livro. Segundo os pais, o livro contém muito erotismo e pode “causar comportamentos irreparáveis, presentes e futuros nos alunos da escola, reconhecidamente católica”. Portanto, os pais criaram um abaixo-assinado para que o livro fosse retirado da instituição particular.
É um caso que me chamou atenção. Talvez seja um assunto que passe reto para outras pessoas e o próprio Bandeira não queira responder sobre isso, porém não se pode negar que quem é escritor ou amante de literatura não reflita sobre essa censura.

Quem é Pedro Bandeira

 Para quem não conhece o autor, Pedro é um escritor e jornalista, nascido em 9 de março de 1942, em Santos. Bandeira já se envolveu com teatro amador, sendo cenógrafo, intérprete e encenador. Antes disso. como jornalista, trabalhou para o jornal imparcial Última Hora, fundado no Rio de Janeiro pelo jornalista russo-brasileiro Samuel Wainer, para apoiar a segunda candidatura dom ex- presidente Getúlio Vargas, contra Carlos Lacerda. Trabalhou também na Editora Abril, escrevendo para várias revistas.
 Mesmo tendo escrito livros para adultos, Bandeira é mais conhecido por seu público ser infanto-juvenil. Entre suas obras mais conhecidas estão A Droga da Obediência (2003), O Fantástico Mistério de Feiurinha (1998) e A Marca de uma Lágrima (1985), que é o objeto de polêmica.
 Ele também já foi premiado com o Prêmio Jabuti e o Prêmio APCA (
Associação Paulista de Críticos de Arte), que premia várias categorias, como Artes Cênicas, Dança, Literatura, entre outros.


A Marca de uma Lágrima


 Escrito em 1985, conta a história de Isabel, uma menina de 14 anos e tem baixa auto estima e é apaixonada por seu primo Cristiano. Cristiano, entretanto, é apaixonado pela melhor amiga de Isabel, Rosana. O livro aborda muito sobre conflitos na adolescência, a falta de confiança em si mesmo e aquela coisa de "primeiro amor".
Capa atual do livro

 Mesmo tendo esses temas em questão, o livro não foi o suficiente para agradar os pais de alunos da sétima séria do Colégio Santa Maria. Isso porque o livro possui textos "fortes" para adolescentes. Os trechos estão abaixo:



"Não seriam atraentes aqueles pequeninos seios que muito bem poderiam ter servido de fôrma para taças de champanhe? ‘Vem, Cristiano, tomar do meu champanhe... Vem me buscar inteirinha, Cristiano..."
"Não conseguia lembrar-se do primo em meio às pálidas recordações dos garotos de sua infância. Teria sido aquele que se divertia batendo nos menores? Ou seria aquele outro que teimava em tirar sua calcinha? — Quer tirar minha calcinha agora, Cristiano?"


 Parece ser uma coisa muito boba- que é, na verdade- mas, a coisa ficou em um nível de que, se o colégio não retirasse o livro das prateleiras, os pais iriam tirar seus filhos do colégio. Segundo a instituição, houve uma mudança de direção e pedagógica no colégio, portanto, logo uma mudança em toda a estrutura, inclusive das obras que estão na biblioteca.

Polêmica? - Conclusão

 Quando eu procurei saber mais sobre essa noticia, eu achei ela como uma daquelas notícias bizarras que a gente costuma encontrar na internet, mas ela ficou bastante na minha cabeça e comecei a refletir sobre o caso- até porque, como escritora, isso dá pra refletir muito. Para começar, o Bandeira não é um escritor qualquer que chegou onde está apenas por sorte. Além de jornalista, ele estudou sobre psicologia e educação para entender esse universo juvenil- que tipo de escritor escreveria sobre achismos? Não que não exista, mas para uma pessoa que está nesta carreira há muito anos, é reconhecido no país inteiro e ainda é premiado, seria algo estranho.
 Segundo que pensei naquela forma de educar de hoje em dia que está tão na moda. Filhos pequenos na frente da tv e computador, assistindo e acessando coisas que não são apropriadas para a sua idade sem monitoramento e reproduzindo essas mesmas coisas na realidade (ou virtualmente). "Ah, mas não é fácil criar filhos". Exatamente. Mas para criar crianças para colocá-las na frente da televisão, entre outros aparelhos de distração- não estou dizendo que deve-se proibir isso completamente- e depois culpar essas tecnologias porque você não consegue educá-las ou, pelo menos, aceitar que você não possui essa capacidade nem quer melhorar isso, é porque tem algo de errado. Isso é algo extremamente comum hoje em dia. Por que colocar seu filho para assistir novela às 21:00 horas sendo que isso é horário para ele estar na cama? Fora que, atualmente, temos classificação na tv, antes da programação começar. (Outra coisa e, consequentemente, outro lado da situação, é acreditar que TODA violência assistida vai criar um pequeno sociopata em casa. Outra forma de culpar outras coisas, senão a sua educação).
 Terceira e última. É claro que temos que pensar que estamos falando de um colégio católico, que, obviamente possui pessoas conservadoras e cristãs- sim, pessoas que possuem valores do início do século 20. Porém não dá pensar como é a educação dessas crianças: provavelmente não possuem direito de falar abertamente sobre sexo, são criadas a terem um comportamento conservador, onde precisam viver em uma sociedade que está se abrindo mais, mas tem que se comportar de acordo como foi criado e o direito de não se expressar. A consequência é crescer um adulto que, provavelmente não irá compreender os outros. Mas, voltando para o livro, quero dizer que, se há uma censura apenas por causa de um texto- e, pasmem, querem até tirar a criança do colégio- é óbvio que é por conta da educação. Porém, mesmo que haja este tipo de educação ainda, não é possível frear a sexualidade na adolescência. Nós estamos falando de um livro de 1985. Hoje em dia não tem aquela necessidade de você esconder sua revista Playboy dos seus pais; temos a internet aberta e livre. Mesmo todo esse conservadorismo, eu não acredito tanto numa tirania por parte dos pais dessas crianças, mas uma inocência de acreditar que seus filhos são- ou serão- iguais a eles ou que seus filhos são muito ingênuos e que somente outras crianças que fazem coisas do tipo, falar sobre sexo com seus amigos, "tocar" o (a) amigo (o), procurar saber mais sobre o assunto. É uma pena que os pais ainda precisam podar- de forma errada as crianças- e censurá-las. Mas, no fim das contas, acabam descobrindo que não há como esconder tudo para sempre.

Fontes:
O Tempo
Info Escola


 

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